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AÇÃO INICIAL ▼
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Na semana passada (25/08/2010) resolvi abandonar as cômodas trincheiras do meu ambientalismo idealizado e fui conhecer um pouco do que isso significa de fato. Eu sempre me imaginara participando de ações coletivas em defesa do meio ambiente, mas ano após ano ficava só nisso: imaginando. Então, quase 1 mês após iniciar este blog, fui conhecer um grupo ecológico!
Meu primeiro passo foi Pesquisar na WWW, pela internet, se havia um desses grupos em Passo Fundo - RS, cidade onde estou morando temporariamente (sou “meio nômade”). Encontrei um: o Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas ( GESP ).
O PAMPA GAÚCHO ▼
Passo Fundo tem um marketing turístico voltado às tradições gaúchas e a palavra “pampas” no nome do grupo também me remeteu à herança cultural do tradicionalismo. Mas pampa não é só palavra para se usar no cancioneiro e literatura gaúchos, ela define um bioma, um aspecto geográfico, topográfico ou coisa parecida. Tá bom! Já que a proposta é abandonar as trincheiras da comodidade, eu vou pesquisar.
“Pampa é um nome... genericamente dado à região pastoril de planícies com coxilhas. Abrange a metade meridional do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 63% do território gaúcho...
Ecologicamente, é um bioma caracterizado por uma vegetação composta por gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d'água, que não são abundantes. Comparados às florestas e às savanas, os campos têm importante contribuição na preservação da biodiversidade, principalmente por atenuar o efeito estufa e auxiliar no controle da erosão. Na parte brasileira do bioma, existem cerca de três mil espécies de plantas vasculares, ... pelo menos 385 espécies de aves, ... e 90 de mamíferos terrestres... No Brasil é um bioma ameaçado.
O clima da região... caracteriza-se por temperaturas amenas e chuvas com pouca variação ao longo do ano. O solo em geral é fértil, sendo bastante utilizado para a agropecuária.”
(Wikipédia, tendo como fonte o Manual Técnico da Vegetação Brasileira)
O QUERO-QUERO ▼
Já a expressão “sentinela dos pampas” me remeteu imediatamente ao quero-quero.
Quero-quero é um pássaro muito alerta, geralmente o primeiro a fazer barulho quando avista algum invasor no seu território. Me lembra os gansos e os pavões, que também soltam gritos de alerta quando perturbados. No estado de Goiás, se não me engano, o quero-quero é chamado de teu-téu.
► Autor da foto: Dario Sanches, São Paulo – Brasil (Wikipédia).
Apesar desta ligação imediata entre o nome do GESP e o quero-quero, é possível que não haja qualquer relação conceitual entre eles. Na logomarca do grupo não há referências ao animal , apenas fica evidenciado o pinheiro araucária. Terei de perguntar.
O PRIMEIRO ENCONTRO ▼
Após as primeiras e frustradas tentativas de entrar em contato com o grupo ecológico por telefone e e-mail, tive uma ligação atendida e, a partir de então, tudo correu muito bem. Fui a pé, num final de tarde, até a sede do grupo, localizada num antigo prédio da Prefeitura Municipal e participei de uma reunião.
Achei que o pessoal pudesse ficar desconfiado da minha presença, uma vez que tantos movimentos de ação social, comunitária e pautados por interesses outros que o econômico sofrem intimidações. Eu não poderia ser um advogado ou espião de uma corporações industrial, de um empresário da construção civil ou do agrobusiness? Mas não percebi o menor traço de desconfiança. Ou eles são um bocadinho ingênuos ou eu sou um bocado mais paranóico do que pensava. Seja como for, o grupo recebeu-me afetuosamente e logo me senti à vontade.
SEM PARANÓIA AINDA VAI... MAS SEM A ROUPA DE CAMUFLAGEM ?!?
A experiência serviu para dar contornos de realidade ao que, antes, era pura especulação. Eu sempre idealizei um grupo ecológico como um defensor da fauna e da flora, atuando contra o desmatamento, a caça e a poluição. Mas ninguém por ali usava sequer roupa de camuflagem... Bem, parece-me que esta visão é um tanto limitada.
Uma surpresa, para mim, foi assistir aos membros do GESP debatendo sobre questões urbanas, como a segurança numa das praças da cidade. Acho que terei de ampliar minha noção do termo meio ambiente e do espectro de ação de um grupo ecológico. O grupo parecia mais desembaraçado para enfrentar questões burocráticas e administrativas, elaborando documentos junto aos poderes judiciário e legislativo, do que para apagar uma queimada nas coxilhas, pampa à fora. Um dos membros, biólogo, comentou que a área urbana de Passo Fundo já os ocupa tanto, que nem dão conta de atender a área rural!
Eu tive de comentar que a área urbana, uma cidade - oh! tristeza - não passa de uma ferida pustulenta sobre a crosta terrestre, somatizando as patologias de nossa sociedade. Algo assim. Não me contive. E arrematei que, em contrapartida, meu principal interesse era o de preservar a biodiversidade, não especialmente os humanos. Se não me engano, acho que eles riram.
Ainda é cedo para eu comentar sobre o GESP, afinal, participei de apenas uma reunião e praticamente não sei nada a respeito dele. Contudo, já estou ansioso pelo próximo encontro. Espero que eu tenha a chance de escapar das ações burocráticas (já chega a papelada que tenho de enfrentar pelos escritórios da vida...) e percorrer os pampas e as matas desta cidade. Camuflado, de preferência!! Eu estou muito mais pra quero-quero sentinela do que para traça de arquivo e, como sempre, sigo sendo um romântico sonhador... Correção: um eco-romântico sonhador.
Pessoal do GESP, foi um prazer conhecê-los! Até mais!!
Tarso.

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Tarso, adorei teu relato sobre o GESP,você nos relacionou bem com o quero quero ele faz parte do nosso simbolo juntamente com a araucária no mapa do RS. Quanto as nossas ações permanecendo no Grupo terá oportunidade de realizar saídas de campo e vivenciar mais de perto o ambiente natural.
ResponderExcluirSeja bem vindo precisamos de pessoas que acredite que vale a pena lutar pela coletividade, infelizmente também fazemos trabalhos burocráticos.